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JAMES ANDERSON

JAMES ANDERSON.

- Em nosso pequeno e modestíssimo curso ministrado sempre as últimas quinta-feiras, o Venerável Irmão Jovaldino da ARLS LUZ DO ORIENTE jurisdicionada às GLMMG, solicitou a possibilidade de publicar artigo sobre James Anderson.
Atendendo seu requerimento eis, em rápidas pinceladas, minúsculo trabalho a respeito.

As constituições dos Francos-Maçons, Contendo a História, as Obrigações, Regulamentos, dessa mui Antiga e Mui Venerável FRATERNIDADE.
para o uso das lojas, tornaram-se conhecidas sob o nome de
" Constituições de Anderson ".
Anderson foi seu redator, desencumbindo-se do trabalho que lhe fora confiado pelo Grão Mestre George Payne. Ali está a história da maçonaria, até os princípios do século XVIII na Inglaterra. Contém as Obrigações, os Regulamentos Gerais, seguidos pelas Lojas ( É o que se espera nos dias de hoje ).
Foram publicadas no dia 24 de Junho de 1723, é o único documento escrito, assim penso, da Maçonaria Moderna. Algumas edições seguiram a primeira publicação : 1738; 1756; 1767; 1784; 1819 e 1827. As dua primeiras, publicadas sob sua responsabilidade,são raridades bibliográficas. A edição de 1784 foi a última que trouxe a chamada PARTE HISTÓRICA, ou a :
" HISTÓRIA DA ARQUITETURA " e começa assim : " Adão, nosso primeiro pai, criado à Imagem de Deus, o Grande Arquiteto do Universo, deve Ter tido as Ciências Liberais, particularmente a Geometria, escritas em seu coração; pois mesmo depois da queda encontramos seus princípios no Coração de seus Descendentes...".
James Anderson era escocês, de Alberdeen, nasceu no ano de 1684, e morreu em 1739. Estudou teologia, tendo colado o grau de Mestre e Doutor.
Em 1710, foi nomeado Pastor da igreja presbiteriana escocesa de Swallow Street, em Londres, onde permaneceu até 1734. Uma curiosa coincidência marca sua passagem nessa Igreja. Ali havia trabalhado o Rev Jonh Désaguiliers, pai de J.Theophile Désaguiliers, que se tornaria Maçom famoso, colaborador
na redação da Constituição e, mais tarde Grão Mestre da Grande Loja.
Em 1730, James Anderson tomou a defesa da Maçonaria. Samuel Prichard havia publicado a
" Maçonaria dissecada, instalando um abalo e um escândalo, combateu, valorosamente, Prichard, o maçom renegado.
Casou se e teve dois filhos. Em 1734 transferiu-se para a Igreja do bairro Leicester Square, Lisle Strett, onde, permaneceu até sua morte, ocorrida no dia 28 de maio de 1739. Jean Palou, na obra Franco Maçonaria Simbólica e iniciática, escreveu: O jornal The Dayle Post, de 02 de Junho de 1739, nos apresenta uma descrição muito interessante de seus funerais: " Ontem à tarde, foi enterrado numa sepultura de profundidade fora do comum o corpo do Dr.Anderson, Professor não conformista. Os cordões do manto funerário eram segurados por quatro Professores da mesma religião e pelo Reverendo Dr. Désaguiliers.Era acompanhado mais ou menos por uns doze maçons que ficaram em torno da sepultura. Depois que o Dr.Earle pronunciou uma olocução sobre a incerteza da existência...etc, os Irmãos tomaram uma solene atitude fúnebre, levantaram sua mãos, suspiraram e bateram três vezes em seus aventais em honra ao defunto." Continua a citação :
" Este texto é sugestivo por mais de uma razão e a expressão de " uma sepultura de profundidade fora do comum " é reveladora de certas sociedades iniciáticas,às quais deveria pertencer o defunto, como aparece aqui o " sinal de horror ", principalmente aquele usado na Maçonaria inglesa.
( fls. 51/52 )
Deixou escritos Sermões ( Unidade na Trindade ) " testemunhos de sua fé cristã e de que, ao contrário do que foi dito, ele jamais aderiu ao deísmo filosófico ". O Sermão do Dia da Saúde; Assassinos do Rei, e não; Crença nos Santos; a Prisão dos Devedores. Escreveu, também a Genealogia Real, versando os Imperadores, reis e princesas, desde Adão. Os livros Conversas com os Mortos e Notícias de Elysium.
Os que escreveram sobre Anderson, informam que ele perdeu,e muitos outros também, perderam seus bens ou fortuna, no desastre financeiro de 1720, em Londres. Até hoje não se sabe o lugar e data de sua iniciação. Foi Venerável da Loja número 17.Segundo Kurt Prober ( minha biblioteca possui toda sua obra ) em 1723, foi Grande Vigilante da Grande Loja. Seu nome aparece nos registos das Lojas Horne Tavern e na Lodge of Salomon's Temple, de Westminster e Hermmings Row, em 1723 e 1725, respetivamente.
Robert Ambelain, em seu livro El Secreto Masónico ( La franc-Maçonnieire Oubliée), Ediciones Martínez Roca, S/A Barcelona, Espanha, trás interessante Capítulo sob o título Irregularidade de La Gran Logia de Inglaterra, onde aborda a figura de James Anderson. Em resumo, diz ele : a partir de Setembro de 1714, Anderson passou a divulgar e educar profanos nas ideias maçonicas e que, no fim do ano, provavelmente, no dia se São João, fundou uma Loja com sete membros, no local onde reuniram, na Taverna Goose and Giridiron
( O Ganso e a Grelha), Loja essa que no ano seguinte se converteu na Loja Antiquity.
Continua Ambelaim: Anderson não era Mestre da Loja, nem sequer maçom regular, por isso não podia transmitir a iniciação maçonica. Não se encontrou rastro de sua iniciação. Era capelão da Loja, situação ocasional, quando ha necessidade de seus serviços particulares. Dentro do título do Capítulo, Ambelain escreve, ainda, que mais tarde, em 1717, estes maçons, que ele chama de irregulares, constituiram quatro Lojas, que viriam a formar a Grande Loja de Londres.
Ambelain descreve, nos mesmos termos aqui consignados anteriormente, os funerais de Anderson.
As observações de Ambelain conduzem a outras, que entendo interessantes.
Não se sabe a respeito de sua iniciação. As notícias são do tempo da maçonaria operativa. Capelão da Loja ( no rito Emulação, conservou-se o Capelão, o orador de Hoje nos demais ritos); fala no Médico da Loja, ambos com funções distintas, a religiosa ou espiritual e a referente à saúde de seus membros.
O livro é muito interessante e, no mesmo capítulo há referência curiosa ao problema, mas sempre atual, do relacionamento da Igreja Católica com a Igreja Anglicana e, especialmente, no que se refere à discutida regularidade apostólica dos seus bispos. Ambelain diz que a maior parte deles são membros da Grande Loja da Inglaterra.
Como se vê, os assuntos se multiplicam e escapama estas linhas que traçaram o perfil de Anderson e um pouco de sua história.
Seu nome e seu trabalho passaram pelo crivo impiedoso dos críticos, inclusive maçons de nome. Entretanto, ninguém conseguiu retirar-lhes os méritos, que foram muitos e incontestáveis. O seu trabalho confere -lhe o direito de ser chamado : UM NOME ÍMPAR na historia da maçonaria.

Bibliografia :

Ambelain, Robert,
El Secreto Masónico.

Aslan, Nicola.
Dicionário.

Ligou, Daniel,
Dictionnaire de la Franc-Maçonaria,

Mackey, A.G.Encyclopédia,

Coil's,
Masonic Encyclopédia,

Mellor, Alec.
Discionário e

Prober, Kurt ( Isa Chan , Pseudônimo )
A bigorna.

Pesquisa Ir. José Humberto de Oliveira MM.'.

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Maçonaria Universal

03 de Fevereiro 2017

MAÇONARIA UNIVERSAL. TEMÁTICA RITUALÍSTICA

A Maçonaria é uma Ordem Iniciática mundial. É apresentada como uma comunidade fraternal hierarquizada, constituída de homens que se consideram e se tratam como irmãos, livremente aceitos pelo voto e unidos em pequenos grupos, denominados Lojas ou Oficinas, para cumprirem missão a serviço de um ideal. Não é religião com teologia, mas adota templos onde desenvolve conjunto variável de cerimônias, que se assemelha a um culto, dando feições a diferentes ritos. Esses visam despertar no Maçom o desejo de penetrar no significado profundo dos símbolos e das alegorias, de modo que os pensamentos velados neles contidos, sejam decifrados e elaborados. Fomenta sentimentos de tolerância, de caridade e de amor fraterno. Como associação privada e discreta ensina a busca da Verdade e da Justiça.

PROVÁVEL ORIGEM

A provável origem da maçonaria tem provocado variadas versões entre os inúmeros historiadores. As opiniões prevalecem em torno da hipótese sobre a constituição das Corporações de Construtores na Idade Média. Essas agremiações reuniram a maioria dos profissionais voltados para a elaboração de projetos e para a construção de templos e palácios. Paralelamente na bibliografia sobre economia social, os pesquisadores destacam dois períodos da Idade Média como fundamentais na organização das relações comerciais e profissionais da época. Um, a Baixa Idade Média que mostrou uma atividade econômica pujante apoiada na agricultura sustentada no regime feudal. O comércio com papel secundário. O outro período, a Alta Idade Média, marcada pelo surgimento das corporações de Ofício, com o objetivo de regular preços, salários, quantidades produzidas e a especificação de produção.

A maior parte dessas corporações foram influenciadas pelas alterações das condições do mercado da mão de obra e, gradativamente, alteraram suas atividades e finalidades. Se distanciaram do papel de representatividade das classes que congregavam e se encaminharam para modelos de entidades com fins assistenciais. Mais tarde, rumaram na direção das iniciativas com conteúdos culturais, políticos e religiosos. A maçonaria que delas se originou, optou por diferentes procedimentos litúrgicos, conforme substratos conceituais das comunidades praticantes. Nas regiões lideradas pela Grã-Bretanha predominou o simbolismo religioso associado ao cientificismo empírico, na França e na Alemanha, teve preferência o simbolismo esotérico e o racionalismo judaico-cristão.

SISTEMAS RITUALÍSTICOS

Os ritos maçônicos são conjuntos de regras e procedimentos empregados nos cerimoniais litúrgicos das Lojas, que empregam símbolos e lendas para representarem princípios de moral e ideias conceituais. Embora os Maçons afirmem se tratar de propósito primordial da corporação o respeito às preferências político partidárias e religiosas dos seus Obreiros, desestimulando discussões sobre os temas, não desconhecem, no entanto, que os ritos são espelhos de movimentos coletivos empreendidos por setores da sociedade, vinculados a uma religião e ou a escolas filosóficas e culturais, em evidência nos séculos XVII e XVIII.

São muitos os fatores de época e de conhecimentos que contribuíram para a configuração dos principais rituais maçônicos. Em meados do século XVIII foram criados sistemas que organizaram ritualmente a Maçonaria. Na França, por exemplo, surgiram mais de 75 desses sistemas. A partir de 1760 começou o período de implantação da metodologia interna da Maçonaria. Foram elaborados ritos por justaposição ou por fusão de sistemas. Somente após essa fase é que apareceram rituais manuscritos para a formalização dos procedimentos como um culto. No final do século XVII a maçonaria tinha dois graus: Aprendiz e Companheiro, dirigidos por um Companheiro mais experiente e capacitado, eleito o Mestre da Loja.

O primeiro documento relativo a um terceiro grau data de 1711, seis anos antes da fundação da Grande Loja de Londres, a primeira federação de Lojas que surgiu no mundo, formada por quatro Lojas, que, até então, reuniam-se de modo autônomo e livre de hierarquia institucional. Em 1740 algumas Lojas admitiram e outorgaram mais de três graus. Seguiu-se um período de intensificação dessa prática, que teve um incremento inicial na França e na Alemanha e, a seguir, na Inglaterra.

A PRIMEIRA GRANDE LOJA

A primeira federação que reuniu as Lojas maçônicas sob uma obediência coletiva institucional, foi a Grande Loja de Londres, fundada em 24 de junho de 1717, através da associação participativa de quatro Lojas que, até essa data, se reuniam de modo independente. Não havia rito com graus sequenciais como temos no presente. Duas cerimônias apenas, faziam parte da caminhada evolutiva do maçom no seu processo Iniciático: a Recepção a um Candidato e a Passagem do Aprendiz para o Grau de Companheiro. Além dessas, um evento especial, que era realizado uma vez ao ano após a eleição de um Companheiro para a presidência da Loja, marcava a exaltação do mesmo à condição de Mestre Instalado no cargo.

O grau de Mestre Maçom ainda não havia sido criado. Para os líderes da fundação da Grande Loja, a maçonaria era um culto secreto destinado a conservar e difundir a crença na existência de Deus, ajudar os maçons a ordenarem sua vida e orientarem o seu procedimento, segundo os princípios de sua religião. Posteriormente, a idéia sobre fé religiosa tornou-se menos rígida entre os maçons anglo-saxões, que, não obstante, continuaram admitindo apenas os crentes monoteístas. Valorizavam, essencialmente, a presença do Livro das Sagradas Escrituras durante os trabalhos, como símbolo da vontade revelada de Deus. O pensamento nuclear do maçom inglês hoje é a prática de uma moral capaz de unir todos os homens, sejam quais forem suas crenças.

A MAÇONARIA E O ANGLICANISMO

Em 1485, ascendeu ao trono da Inglaterra, Henrique VII, iniciador da dinastia Tudor. A nova dinastia, cujos principais representantes foram Henrique VIII (1509 a 1547) e Elizabeth I (1558 a 1603), estabeleceu um regime monárquico absolutista.

A afirmação do absolutismo foi facilitada com a reforma religiosa. O rompimento com Roma se deu por ocasião da questão surgida em torno do divórcio entre Henrique VIII e Catarina de Aragão. O soberano inglês, desejando casar-se com Ana Bolena, solicitou ao Papa Clemente VII a anulação do seu casamento com aquela que só lhe dera filhas. A recusa do Papa levou o monarca a proclamar o Ato de Supremacia, em 1534, homologado pelo Parlamento, que colocou a religião da Inglaterra sob a autoridade monárquica. Henrique VIII passou a se interessar pelo movimento reformista religioso que se difundia na Europa, por ele nutrindo simpatia crescente.

Elizabeth I intensificou o apoio de seu antecessor ao protestantismo e com ela no trono a Igreja Anglicana implantou-se definitivamente com suas características; um misto de crenças calvinistas, apoiadas sobre a organização de parte do catolicismo, conforme foi estabelecido no Ato dos 39 Artigos em 1563. Impulsionada por esse sentimento religioso expansionista, a monarquia tentou intervir na Igreja Presbiteriana da Escócia, para enfraquecer a seita. A iniciativa fez eclodir uma guerra civil, forçando o Rei da Inglaterra a reunir o Parlamento para pedir recursos. A oposição no Parlamento resistiu ao pedido, derrotando a concessão. O Rei mandou prender líderes oposicionistas e esses desencadearam um movimento revolucionário, conhecido como Revolução Puritana. A maioria no Parlamento, liderada por Oliver Cromwell, pertencente ao puritanismo, venceu e mandou aprisionar e decapitar o Rei, proclamou a República e designou Cromwell para governar, como Lorde Protetor.

Com a morte de Cromwell em 1658, abriu-se um período de crise institucional, que conduziu à restauração da dinastia dos Stuart; Carlos II em 1660 e Jaime II em 1685. Jaime II pretendeu restabelecer a primazia da religião católica, desprezando a preferência da maioria protestante. Foi facilmente vencido pela burguesia capitalista e pelos mercadores da cidade de Londres, na chamada Revolução Gloriosa de 1688. O Parlamento saiu fortalecido. Todavia, o povo não sentiu-se vitorioso, pois considerou a Revolução Gloriosa um movimento aristocrático. Foi a época em que evoluíram liberalidades, em resposta à rigidez do puritanismo, e eclodiram as polêmicas religiosas. Emergiu o caos dos costumes. Os dogmas foram atacados e ridicularizados. A religião sofre na Inglaterra o seu maior período de retrocesso. Uma reação foi necessária para neutralizar o avanço da corrupção e da libertinagem. Surgiram a partir de 1700, numerosas “sociedades para a reforma da conduta”, como foram intituladas na época. Com atuação firme e eficiente elas mobilizaram os setores mais conservadores do povo inglês e empenharam-se em reconduzi-lo ao sentimento de respeito pelos seus antigos princípios éticos e morais.

A maçonaria profissional, denominada entre os maçons, operativa, se integrou no movimento. Depois de um período de progresso proporcionado pelas frentes de trabalho criadas pelo incêndio em Londres, em 1666, voltara a entrar em decadência também. Perdera grande parte do seu caráter original e se transformara em mera fraternidade de socorros mútuos, adotando postura voltada para o culto a Deus e a preservação de uma mensagem de moral natural, de tolerância e de fraternidade. As Lojas das Corporações de Ofício procuraram meios para sobreviverem à crescente precariedade de sua situação funcional e financeira e abriram suas portas para profissionais de áreas estranhas à construção, os aceitos. Essas entidades se transformaram em cultos de incentivo à religiosidade e ao aprimoramento dos valores relativos à cidade.

As atividades das sociedades para a reforma da conduta, constituídas predominantemente pela burguesia, visaram principalmente as massas, pois não se sentiam encorajadas a criticar os costumes da nobreza inglesa.

A maçonaria continuou sendo procurada por interessados provenientes de variados setores da sociedade britânica. O processo transformou a maçonaria operativa em especulativa, quando a maioria em cada Loja foi formada por nobres, intelectuais e representantes de outras atividades profissionais. Essa nova maçonaria foi incumbida de atuar junto às classes superiores, visando melhores resultados na campanha de melhoria da conduta social. Foi o período que antecedeu a fundação da Grande Loja, em Londres, com base nos preceitos do anglicanismo e do simbolismo influenciado pelo iluminismo cientificista.

ILUMINISMO INGLÊS E MAÇONARIA

A pesquisa sobre a participação de profissionais não artesãos nos agrupamentos dos maçons, a partir do século XVII, revela que os aceitos constituíram núcleos diversificados de obreiros nas Lojas operativas. Algumas dessas deixaram de ser convencionais para se tornarem formadoras de opiniões. As Lojas frequentadas por intelectuais ganharam prestígio e marcaram a figura do livre pensador, um erudito que tinha salvo-conduto da realeza para divulgar suas ideias e melhorar os conhecimentos da elite. As reuniões maçônicas, a partir dessa época, proporcionaram nova visão do homem e do mundo e elevaram a complexidade dos conhecimentos à disposição da comunidade. Os interesses das monarquias, das religiões dominantes e das ciências criaram episódios relevantes, que colaboraram para a evolução organizacional e funcional da maçonaria. Foi o caso que se verificou na difusão do movimento filosófico e cientificista inglês, o iluminismo, a partir da Royal Society, que desempenhou papel fundamental na criação e na consolidação da primeira Grande Loja maçônica, em Londres. Despontou a liderança de John Theophilus Desaguliers, um francês que mudou-se pequeno com seus pais para a Inglaterra, onde anos mais tarde frequentou a Universidade de Oxford e se doutorou em Lei Canônica.

A ciência foi importante na vida de Desaguliers, principalmente a teoria das leis mecânicas de Newton, com quem estreitou laços de amizade. Foi eleito para a Royal Society em Londres e fez conferências em tavernas para divulgar a ciência newtoniana. Dedicou-se a interpretar princípios do Deísmo pois, para a sociedade de intelectuais londrinos, Deus era a Causa Primeira e Final do mundo, responsável pela Segunda razão da existência do Universo, a força de gravidade que ordena a relação dinâmica de todos os corpos celestes, interpretada e descrita por Isaac Newton.

Desaguliers estudou os conceitos filosóficos voltados para a importância do estudo da matéria e seus movimentos como elementos constitutivos do Universo. Acreditou que o Sábio e Todo-Poderoso Autor da Natureza iniciara Sua Obra divina pelo átomo e que dotara a matéria de movimento e de propriedades de atração e repulsão.

Como se constata, o sentimento materialista religioso esteve sempre muito presente na base das especulações científicas do iluminismo inglês, levado também para os alicerces conceituais que sustentaram a criação da Grande Loja de Londres e o novo modelo de Loja maçônica, apoiado na estrutura física do Parlamento e na pedagogia da Sociedade Real. Os princípios da arquitetura clássica igualmente tiveram forte receptividade entre os aristocratas britânicos no início do século dezoito. As características mais valorizadas foram a simetria, os arcos, as colunas dórica e jônica e os templos com domos.

Desaguliers integrou o partido político Whig, que surgiu depois da revolução de 1688, que pretendeu subordinar o poder da Coroa ao do Parlamento. As doutrinas que compuseram a ideologia da oligarquia Whig endossavam a idéia de soberania parlamentar com liberdades naturais, constituindo uma proposta de revolução política, que fez surgir no século seguinte o Partido Liberal inglês.

Desaguliers tornou-se Grão-Mestre eleito, dois anos depois da instalação da Grande Loja em 24 de junho de 1717, em Londres. Recrutou cientistas e outros pensadores para posições de liderança no projeto maçônico organizado, visando fazê-lo florescer em harmonia, reputação e número. Criou a figura do Deputado do Grão-Mestre, nomeado para representar o Grão-Mestre em situações de impedimento ou de coincidência temporal de eventos. Trabalhou estreitamente com o ministro presbiteriano James Anderson, membro da Royal Society, na redação de uma Constituição para a novel Grande Loja. Juntos, fizeram as primeiras analogias entre a antiga arquitetura e o moderno mundo da maçonaria intelectualista, sustentando que os princípios da antiga maçonaria possibilitaram a construção das pirâmides egípcias e o templo do Rei Salomão. Desaguliers e Anderson lançaram a idéia central que serviu de referência para a confecção da Tábua de Delinear do primeiro grau da maçonaria inglesa, onde estão desenhadas as colunas dos princípios dórico, jônico e coríntio, presentes nos desenhos simétricos dos antigos edifícios e que refletem a harmonia com a natureza. Nas Constituições da Grande Loja há especial menção aos direitos do Grão-Mestre, investido nas funções de Poder Executivo, concebido como um Primeiro Ministro da maçonaria.

O sistema de graus foi idealizado pelos líderes da Grande Loja para servir ao propósito de explicar as ideias da intelectualidade inglesa, a respeito do processo de aperfeiçoamento moral, cultural e filosófico do ser humano, em que a escada simboliza a ascensão individual e estimula a busca do conhecimento que qualifica a caminhada existencial.

A Grande Loja ajudou as Lojas locais a funcionarem como assembleias, elegendo os dirigentes da sua entidade maior e mantendo encontros permanentes para discutirem assuntos importantes para a comunidade, além de servirem como centros ritualísticos, conferindo os graus aos candidatos admitidos. As Lojas promoviam ações filantrópicas, contribuíam para o Fundo de Caridade da Grande Loja e prestavam assistência financeira aos maçons necessitados. Nessas condições, em que observa-se a presença da Grande Loja como uma coordenação centralizadora das principais iniciativas, houve a intensa promoção, entre 1719 e 1736, de atividades sociais e culturais nas Lojas e em toda a Londres, Lojas que funcionavam em cafés, tavernas e hospedarias, promovendo a sociabilidade, a expansão da cultura e a vida clubística.

Inegável é que o sistema ritualístico, com sua pedagogia maçônica diferenciada, provou ser um veículo efetivo para a explicação das ideias do século dezoito, dos conceitos newtonianos aos princípios éticos do Deísmo. O sistema ritualístico funcionou também como uma religião civil e foi reconhecido como uma importante fonte do anglofilismo. Os maçons ingleses entenderam que as leis da mecânica newtoniana revelavam muito sobre o ordenamento da natureza e que as doutrinas deitas, da mesma maneira, ajudavam a definir princípios apropriados para a conduta moral da sociedade.

AS TAVERNAS

Por volta de 1356, grupos de trabalhadores especializados na arte de construir, primeiro em madeira e depois em pedra, sentiram a necessidade de criar uma organização que os congregasse e cuidasse dos seus direitos. Essa etapa durou mais de duzentos anos e as reuniões foram realizadas em construções pequenas situadas ao lado da obra principal.

No século XVII, entraram nas primitivas Sociedades dos Pedreiros de Ofício, os primeiros praticantes de outras profissões, admitidos em nome da contribuição cultural que podiam proporcionar. Os novos grupos se expandiram. Os espaços acanhados das reuniões realizadas nos anexos das obras foram abandonados e trocados por outros mais confortáveis, encontrados principalmente nas salas das tavernas, das cervejarias e das estalagens. Os recantos isolados desses estabelecimentos públicos ganharam a preferência e os encontros contaram, a partir daí, com um outro ingrediente; a possibilidade de comer, beber e conversar após a reunião.

A confirmação do hábito desenvolveu o comércio específico das empresas e várias dessas tavernas e cervejarias se tornaram famosas pela sua colaboração na estruturação da maçonaria enriquecida pelos “aceitos especulativos”, ou seja, aqueles que não trabalhavam com a pedra, e sim, com as ideias.

Quatro tavernas se destacaram em prestígio no meio maçônico, porque serviram de alicerce para a fundação da Grande Loja de Londres. Foram a Ganso e Grelha, a Macieira, a Coroa e a Copázio e as Uvas.

A MAÇONARIA INTITULADA ESCOCESA

Documentos de 1735 fazem referência à expressão “Mestre Escocês”, que parece significar um artesão ou arquiteto especialmente qualificado. É provável que seja em analogia aos artesãos que viajaram da Inglaterra para a Escócia, no século VIII, com a finalidade de conhecerem a emergente e promissora arquitetura dos belos castelos do norte da Escócia. Esses maçons mantiveram o hábito de realizarem suas assembleias gerais, desenvolvendo um nível elevado de conhecimentos. Os encontros constituíram em 1150 a Corporação de Kilwinning, que passou a ter sede na abadia de Kilwinning, em construção desde 1040. A classificação “Mestres Escoceses” se generalizou, seus encontros formais e a qualificação profissional constituíram o que mais tarde se converteu em um dos ritos maçônicos especulativos mais conhecidos e praticados no mundo, o Rito Escocês Antigo e Aceito. Em 1758 foram acrescidos graus cavalheirescos aos três primeiros, sendo criado um sistema de Altos Graus, com limite em 25. Mais tarde, provavelmente em 1801, passou a contar 33 graus.

Pesquisa Ir. José Humberto de Oliveira.'.MM.'.

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Constituição de James Anderson

 

Terça Faira, 17 de Janeiro 2017

A Constituição de Anderson

A Constituição de Anderson é considerada como o "farol" que guia toda a actividade da Maçonaria regular. Pese embora ter sido escrita há quase 300 anos, a sua influência mantém-se.

Constituição de Anderson

I - Respeitando a Deus e à Religião

Um Pedreiro é obrigado, pela sua condição, a obedecer à lei moral. E, se compreende correctamente a Arte, nunca será um ateu estúpido nem um libertino irreligioso. Mas, embora, nos tempos antigos, os pedreiros fossem obrigados, em cada país, a ser da religião desse país ou nação, qualquer que ela fosse, julga-se agora mais adequado obrigá-los apenas àquela religião na qual todos os homens concordam, deixando a cada um as suas convicções próprias: isto é, a serem homens bons e leais ou homens honrados e honestos, quaisquer que sejam as denominações ou crenças que os possam distinguir. Por consequência, a Maçonaria converte-se no Centro de União e no meio de conciliar uma amizade verdadeira entre pessoas que poderiam permanecer sempre distanciadas.

II - Do Magistrado Civil supremo e subordinado

Um Pedreiro é um súbdito tranquilo do poder civil, onde quer que resida ou trabalhe e nunca deve imiscuir-se em planos e conspirações contra a paz e o bem-estar da nação, nem comportar-se indevidamente para com os magistrados inferiores. Porque, como a Maçonaria tem sido sempre prejudicada pela guerra, a efusão de sangue e a desordem, assim os antigos reis e príncipes dispuseram-se a encorajar os artífices por causa da sua tranquilidade e lealdade, por meio das quais respondiam, na prática, às cavilações dos adversários e concorriam para a honra da Fraternidade, sempre florescente em tempo de paz. Eis porque, se um irmão for rebelde para com o Estado, não deve ser apoiado na sua rebelião conquanto possa ser lamentado como um infeliz; e, se não for culpado de nenhum outro crime, embora a Fraternidade leal deva e tenha de rejeitar a sua rebelião e não dar sombra ou base de desconfiança política ao governo existente, não pode expulsá-lo da loja e a sua relação para com ela permanece indefectível.

III - Das Lojas

Uma Loja é o local onde se reúnem e trabalham pedreiros. Portanto, toda a assembleia ou sociedade de pedreiros, devidamente organizada, é chamada loja, devendo todo o irmão pertencer a uma e estar sujeito ao seu regulamento e aos regulamentos gerais. Uma loja é particular ou geral e será melhor entendida pela sua frequência e pelos regulamentos da loja geral ou Grande Loja, adiante apensos. Nos tempos antigos, nenhum mestre nem companheiro se podia ausentar dela, especialmente quando avisado para comparecer, sem incorrer em severa censura, a menos que parecesse ao mestre e aos vigilantes que a pura necessidade o impedira.
As pessoas admitidas como membros de uma loja devem ser homens bons e leais, nascidos livres e de idade madura e discreta, nem escravos, nem mulheres, nem homens imorais ou escandalosos, mas de boa reputação.

IV - Dos Mestres, Vigilantes, Companheiros e Aprendizes

Toda a promoção entre pedreiros é baseada apenas no valor real e no mérito pessoal, a fim de que os senhores possam ser bem servidos, os irmãos não expostos à vergonha e a arte real não seja desprezada. Portanto, nenhum mestre nem vigilante é escolhido por antiguidade, mas pelo seu mérito. Torna-se impossível descrever estas coisas por escrito, e cada irmão deve ocupar o seu lugar e aprendê-las na maneira própria desta Fraternidade. Fiquem apenas sabendo os candidatos que nenhum mestre deve tomar aprendiz a menos que tenha ocupação bastante para ele e a menos que se trate de um jovem perfeito, sem mutilação nem defeito no corpo que o torne incapaz de aprender a arte, de servir o senhor do seu mestre, e de ser feito irmão e depois companheiro em tempo devido, mesmo após ter servido o número de anos consoante requeira o costume do país; e que ele provenha de pais honestos; de maneira que, quando qualificado para tal, possa ter a honra de ser vigilante, depois mestre da loja, grande vigilante e, por fim, grão-mestre de todas as lojas, conforme ao seu mérito.
Nenhum irmão pode ser vigilante sem ter passado pelo grau de companheiro; nem mestre sem ter actuado como vigilante; nem grande-vigilante sem ter sido mestre de loja; nem grão-mestre a menos que tenha sido companheiro antes da eleição, e que seja de nascimento nobre ou gentleman da melhor classe ou intelectual eminente ou arquitecto competente ou outro artista saído de pais honestos e de grande mérito singular na opinião das lojas. E para melhor, mais fácil e mais honroso desempenho do cargo, o grão-mestre tem o poder de escolher o seu próprio grão-mestre substituto, que deve ser ou deve ter sido mestre de uma loja particular e que tem o privilégio de fazer tudo aquilo que o grão-mestre, seu principal, pode fazer, a menos que o dito principal esteja presente ou interponha a sua autoridade por carta.
Estes dirigentes e governadores, supremos e subordinados, da antiga loja, devem ser obedecidos nos seus postos respectivos por todos os irmãos, de acordo com os velhos preceitos e regulamentos, com toda a humildade, reverência, amor e diligência.

V - Da Gestão do Ofício no Trabalho

Todos os pedreiros trabalharão honestamente nos dias úteis para que possam viver honradamente nos dias santos; e observar-se-á o tempo prescrito pela lei da terra ou confirmado pelo costume.
O mais apto dos companheiros será escolhido ou nomeado mestre ou inspector do trabalho do Senhor; e será chamado mestre por aqueles que trabalham sob ele. Os obreiros devem evitar toda a linguagem grosseira e não se tratar por nomes descorteses, mas sim por irmão ou companheiro; e devem comportar-se com urbanidade dentro e fora da loja.
O mestre, conhecendo-se a si mesmo capaz de destreza, empreenderá o trabalho do Senhor tão razoavelmente quanto possível e utilizará fielmente os materiais como se seus fossem; nã dará a irmão ou aprendiz maiores salários dos que ele, realmente, possa merecer.
Tanto o mestre como os pedreiros, recebendo os seus salários com exactidão, serão fiéis ao Senhor e terminarão o trabalho honestamente, quer ele seja à tarefa quer ao dia; não converterão em tarefa o trabalho que costume ser ao dia.
Ninguém terá inveja da prosperidade de um irmão, nem o suplantará, nem o porá fora do trabalho se ele for capaz de o terminar; porque nenhum homem pode terminar o trabalho de um outro com o mesmo proveito para o Senhor a menos que esteja completamente familiarizado com os desenhos e planos daquele que o começou.
Quando um companheiro for escolhido como vigilante do trabalho sob o mestre, será leal tanto para com o mestre como para com os companheiros, vigiando zelosamente o trabalho na ausência do mestre, para proveito do Senhor; e os seus irmãos obedecer-lhe-ão.
Todos os pedreiros empregados receberão o salário em sossego, sem murmurar nem se amotinar, e nã abandonarão o mestre até o trabalho estar concluído.
Cada irmão mais jovem será instruído no trabalho, para se evitar que estrague os materiais por falta de conhecimento e para aumentar e continuar o amor fraternal.
Todas as ferramentas usadas no trabalho serão aprovadas pela Grande Loja.
Nenhum outro trabalhador será empregado no trabalho próprio da Maçonaria; nem os pedreiros-livres trabalharão com aqueles que não forem livres, salvo necessidade urgente; nem ensinarão trabalhadores e pedreiros não aceites como ensinariam um irmão ou um companheiro.

VI - Da Conduta

1. Na Loja, enquanto constituída

Não organizareis comissões privadas nem conversações separadas sem permissão do mestre, nem falareis de coisas impertinentes nem indecorosas, nem interrompereis o mestre nem os vigilantes nem qualquer irmão que fale com o mestre; nem vos comportarei jocosamente nem apalhaçadamente enquanto a loja estiver ocupada com assuntos sérios e solenes; nem usareis de linguagem indecente sob qualquer pretexto que seja; mas antes manifestareis o respeito devido aos vossos mestre, vigilantes e companheiros e venerá-los-eis.
Se surgir alguma queixa, o irmão reconhecido culpado ficará sujeito ao juízo e à decisão da loja, a qual constitui o juiz próprio e competente para todas as controvérsias desse tipo (salvo se seguir apelo para a Grande Loja) e à qual elas devem ser referidas, a menos que o trabalho do Senhor seja no entretanto prejudicado, motivo pelo qual poderá usar-se de processo particular; mas nunca deveis recorrer à lei naquilo que respeite à Maçonaria sem absoluta necessidade, reconhecida pela loja.

2. Conduta depois de a Loja ter encerrado e antes dos irmãos terem partido

Podeis divertir-vos com alegria inocente, convivendo uns com os outros segundo as vossas possibilidades. Evitai porém todos os excessos, sem forçar um irmão a comer ou a beber para além dos seus desejos, sem o impedir de partir quando o chamarem os seus assuntos e sem dizer ou fazer qualquer coisa ofensiva ou que possa tolher uma conversação afável e livre. Porque isso destruiria a nossa harmonia e anularia os nossos louváveis propósitos. Portanto, não se tragam para dentro da porta da loja rancores nem questões e, menos ainda, disputas sobre religião, nações ou política do Estado. Somos apenas pedreiros, da religião universal atrás mencionada. Somos também de todas as nações, línguas, raças e estilos e somos resolutamente contra toda a política, como algo que até hoje e de hoje em diante jamais conduziu ao bem-estar da loja. Esta obrigação sempre tem sido prescrita e observada e, mais especialmente, desde a Reforma na Grã-Bretanha, ou a dissensão e secessão destas nações da comunhão de Roma.

3. Conduta quando irmãos se encontram sem estranhos mas não em loja formada.

Deveis cumprimentar-vos uns aos outros de maneira cortês, como vos ensinarão, chamando-vos uns aos outros irmãos, dando-vos livremente instrução mútua quando tal parecer conveniente, sem serdes vistos nem ouvidos e sem vos ofenderdes uns aos outros nem vos afastardes do respeito que é devido a qualquer irmão, mesmo que não fosse pedreiro. Porque embora todos os pedreiros sejam como irmãos, ao mesmo nível, a Maçonaria não retira ao homem a honra que ele antes tinha; pelo contrário, acrescenta-lhe honra, principalmente se ele bem mereceu da Fraternidade, a qual deve conceder honra a quem for devida e evitar as más maneiras.

4. Conduta na presença de estranhos não pedreiros.

Sereis prudentes nas vossas palavras e atitudes, a fim de que o mais penetrante dos estranhos não seja capaz de descobrir ou achar o que não convém sugerir; por vezes desviareis a conversa e conduzi-la-eis com prudência, para honra da augusta Fraternidade.

5. Conduta em casa e para com os vizinhos.

Deveis proceder como convém a um homem moral e avisado; em especial, não deixeis família, amigos e vizinhos conhecer o que respeita à loja, etc. mas consultai prudentemente a vossa própria honra e a da antiga Fraternidade por razões que não têm aqui de ser mencionadas. Deveis também ter em conta a vossa saúde, não vos conservando fora de casa, depois de terem passado as horas de loja; evitai os excessos de comida e de bebida, para que as vossas famílias não sejam negligenciadas nem prejudicadas e vós próprios incapazes de trabalhar.

6. conduta para com um irmão estranho.

Deveis examiná-lo com cuidado, da maneira que a prudência vos dirigir de forma que não vos deixeis enganar por um ignorante e falso pretendente, a quem rejeitarei com desprezo e escárnio, evitando dar-lhe quaisquer sinais de reconhecimento.
Contudo, se descobrirdes nele um irmão verdadeiro e genuíno, então deveis respeitá-lo; e, se ele tiver qualquer necessidade, deveis ajudá-lo se puderdes ou então dirigi-lo para quem o possa ajudar. Deveis empregá-lo durante alguns dias, ou recomendá-lo para que seja empregado. Mas não sois obrigado a ir além das vossas possibilidades, somente a preferir um irmã pobre, que seja homem bom e sincero, a quaisquer outros pobres em idênticas circunstâncias.
Finalmente, todas estas obrigações são para observardes, e assim também as que vos serão comunicadas por outra via; cultivando o amor fraternal, fundamento e remate, cimento e glória desta antiga Fraternidade, evitando toda a disputa e querela, toda a calúnia e maledicência, não permitindo a outros caluniar um irmão honesto, mas defendendo o seu carácter e prestando-lhe todos os bons ofícios compatíveis com a vossa honra e segurança e não mais. E se algum deles vos fizer mal, dirigi-vos à vossa própria loja ou à dele; e daí, podeis apelar para a Grande Loja, aquando da Comunicação Trimestral, e daí para a Grande Loja anual, como tem sido a antiga e louvável conduta dos nossos antepassados em todas as nações; nunca recorrendo à justiça a não ser quando o caso não se possa decidir de outra maneira, e escutando pacientemente o conselho honesto e amigo de mestre e companheiros quando vos queiram impedir de recorrerdes à justiça com estranhos ou vos incitar a pordes rapidamente termo a todo o processo, a fim de que vos possais ocupar dos assuntos da Maçonaria com mais alacridade e sucesso; mas com respeito aos irmãos ou companheiros em juízo, o mestre e os irmãos devem com caridade oferecer a sua mediação, a qual deve ser aceite com agradecimento pelos irmãos contendores; e se essa submissão for impraticável, devem então continuar o seu processo ou pleito sem ira nem rancor (não na maneira usual), nada dizendo ou fazendo que possa prejudicar o amor fraternal, e renovando e continuando os bons ofícios; para que todos possam ver a influência benigna da Maçonaria e como todos os verdadeiros pedreiros têm feito desde os começos do mundo e assim farão até ao final dos tempos.
Amen, assim seja.
Fonte: Anderson's Constitutions, Constitutions d'Anderson 1723, texte anglais de l'édition de 1723, introduction, traduction et notes par Daniel Ligou, Paris, Lauzeray International, 1978.
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O Siguinificado dos Cinco Pontos d Perfeição

O SIGNIFICADO DOS CINCO PONTOS DA PERFEIÇÃO.

Mão com mão, pé com pé, joelho com joelho, peito com peito tudo do lado direito e finalmente à mão esquerda sobre o ombro direito nas costas.

Mackey escreveu que “a maçonaria é um sistema de moralidade desenvolvido e revelado pela ciência do simbolismo”. Na maçonaria o simbolismo são os três primeiros graus da escada de Jacó, aonde entramos como aprendizes maçom e evoluímos até chegarmos a mestre maçom.

O Simbolismo transforma os fenômenos visíveis em uma ideia, e a ideia em imagem, mas de tal forma que a ideia continua a agir na imagem, e permanece, contudo, inacessível; e mesmo se for expressa em todas as línguas, ela permanece inexprimível.

Então qual é o real significado destes cinco pontos hoje conhecidos como da perfeição?

Podemos afirmar sucintamente que:

Mão com mão, eu o saúdo como Irmão. Pé com pé, eu o apoiarei em suas atitudes louváveis e em sua jornada. Joelho com joelho, é a postura das minhas súplicas diárias que me lembrarão de suas necessidades. Peito com peito, seus segredos, quando passados a mim, serão mantidos como se meus próprios. Mão nas costas, eu defenderei seu caráter em sua ausência como em sua presença.

Como existe todo um contexto muito especial nas palavras citadas acima, gostaria de exemplificar detalhadamente:

·      Mão com mão, quando as necessidades de um Ir.’. exigem amparo, nós não poderemos volta-lhe as costas se estivermos lhe apertando a mão, para lhe dar ajuda que pode salvá-lo de afundar, sabendo que este é merecedor e que não trará qualquer demérito a nós ou aos nossos entes queridos.

·      Pé com pé, a indolência não pode fazer para a nossa caminhada de nossos pés lado a lado e muito menos a cólera pode nos afastar os nossos passos. É importante lembrar que o homem não nasceu para satisfazer-se sozinho, mas para exercer benevolência, socorro e conceder assistência às demais criaturas e especialmente aos IIr.’. Maçons.

·      Joelho com joelho, quando recomendamos o bem estar dos nossos IIr.’. ao Supremo Arquiteto do Universo, devemos fazê-lo como se fosse para nós, assim com certeza estaremos pedindo de um coração fervoroso, nossas preces sendo reciprocamente requeridas, para o bem estar de um ou de outro, manteremos o nosso espírito fraternal.

·      Peito com peito, um segredo licito de um Ir.’., quando confiado a nós, deve ser mantido como fosse nosso, pois trair um segredo depositado por um Ir.’. a outro deve ser a maior injúria que se poderia receber em vida; mais ainda, seria como a vilania do assassino que encoberto pelas sombras, esfaqueia o coração de seu adversário quando esse esta desarmado e sem suspeitar o perigo.

·      Mão nas costas, o caráter e a reputação de um Ir.’. devem ser defendidos em sua presença ou ausência; não devemos injuriá-lo, nem permitir que o façam.

Portanto podemos afirmar que a fraternidade pelo os cinco pontos que hoje conhecemos como os cinco pontos da perfeição, obrigaram-nos a estarmos unidos em um sincero elo de afeição fraterna, que será suficiente para nos distinguir daqueles que é de fora à nossa Ordem Maçônica e pode demonstrar ao mundo em geral que a palavra Irmão entre os maçons é muito mais que apenas uma palavra e possui um significado muito especial.

Pequisa Ir. José Humberto de Oliveira.'.MM.'.

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As 07 Artes Liberais

Treça Feira 10 de Janeiro 2017

As Sete Artes Liberais.

Artes liberais é uma expressão que designa um conjunto de estudos e disciplinas através das quais se intenciona prover conhecimentos, métodos e habilidades intelectuais gerais para seus estudantes, ao invés de habilidades ocupacionais, científicas ou artísticas mais especializadas.

Visão geral do tema

Embora a expressão e o conceito de artes liberais tenha se originado na Antiguidade, foi nas Universidades da Idade Média que ela adquiriu seu alcance e significado atuais, bem como o número de disciplinas que a compõem (sete ao todo), descritas mais adiante.
Na Idade Moderna, as artes liberais eram consideradas as disciplinas próprias para a formação de um homem livre, desligadas de toda preocupação profissional, mundana ou utilitária. Contrapõem-se às artes mecânicas, ou seja, às disciplinas não diretamente relacionadas a interesses imateriais, metafísicos e filosóficos, mas estritamente técnicos (voltados à produção de utilidades que sirvam às necessidade cotidianas do homem).
O conceito de arte dado por Aristóteles — “a capacidade de produzir com raciocínio reto”, ou ainda, “uma disposição suscetível de criação acompanhada de razão verdadeira” — é capaz de fornecer alguns elementos acerca do conceito de artes liberais que os homens da Antigüidade e da Idade Média tinham.
Mediante o domínio das assim chamadas sete belas-artes, o homem seria capaz de produzir obras e idéias com poder de elevar o espírito humano para além dos interesses puramente materiais, rumo a um entendimento racional e livre da verdade.

Trivium e Quadrivium

Tradicionalmente, as sete artes liberais englobam, desde a Idade Média, dois grupos de disciplinas: de um lado, o trivium e do outro, o quadrivium. O trivium concentra o estudo do texto literário por meio de três ferramentas de linguagem pertinentes à mente. O quadrivium engloba o ensino do método científico por meio de quatro ferramentas relacionadas à matéria e à quantidade.

 

O Trivium

Etimologicamente, trivium significa “o cruzamento e articulação de três ramos ou caminhos”[1]. Esse grupo de disciplinas incluía a lógica (ou dialéctica), a gramática e a retórica. As artes do trivium teriam como objetivo prover disciplina à mente, para que esta encontre expressão na linguagem, especialmente no que se refere ao estudo da matéria e do espírito. De acordo com definições clássicas[2], a matéria teria como característica essencial o número e a extensão, temas analisados respectivamente pela aritmética e pela música, bem como pela geometria e astronomia (ou astrologia clássica). Segundo esta mesma definição, o espírito teria como caractere essencial o número.

O Quadrivium

O quadrivium, etimologicamente o cruzamento de quatro ramos ou caminhos[1] está voltado para o estudo da matéria, por meio do domínio das seguintes disciplinas: aritmética (a teoria do número); em música (a aplicação da teoria do número), em geometria (a teoria do espaço) e em astronomia (a aplicação da teoria do espaço)[1].
No âmbito do quadrivium, a música é entendida como o estudo dos princípios musicais, tais como harmonia, não podendo ser confundida com a música instrumental aplicada (uma das sete belas-artes). O objetivo destas artes ditas “da quantidade” era prover meios e métodos para o estudo da matéria, sujeitos a aprimoramento no âmbito das disciplinas ditas superiores.

Estudos Superiores

As disciplinas ditas superiores (de acordo com a definição dada pelos conceitos clássicos e medievais) formavam a parte central e preparatória do currículo das universidades medievais, preparando o aluno para entrar em contato com as três principais formações de tais centros de saber: a medicina, o direito e a teologia.
Como outras artes normativas — que ajustam ou regulam segundo um padrão ou norma — as artes da linguagem consistem em estudos práticos que ajustam a linguagem segundo uma norma, como por exemplo: o pensamento segundo a verdade, as palavras faladas e escritas segundo a correção ou a comunicação segundo a eficácia. É por isso que, no âmbito das artes liberais e dos princípios da educação superior, diz-se que “a verdade é a norma ou a meta da lógica”, “a correção é a norma da gramática” ou “a eficácia é a norma da retórica”.
Santo Tomás de Aquino e Aristóteles, na ocasião em que (ao primeiro) foi dito: “Bene scripsisti de me, Thoma”
Segundo os propugnadores de tal método educacional clássico, para que se possa penetrar em níveis de conhecimento superior das ciências, da metafísica ou da teologia, o indivíduo deve ser capaz de pensar de forma retilínea e coerente, fazendo uso correto e eficaz das palavras, nos mais variados níveis de discurso.
Como é cediço, a educação ocorre por meio da comunicação, ou seja, pelo encontro de duas ou mais mentes, a possuir algo em comum. De acordo com tal sistema, isso implicaria na conclusão de que o trivium, antes de mais nada, é um estudo básico, cujo objetivo primordial é dar início a uma vida de aprendizagem – algo meramente provisório – com a qual se adquire uma das cinco virtudes intelectuais, abaixo explicadas.
[editar]As Cinco Virtudes Intelectuais

De acordo com os postulados da educação clássica e medieval, assim como a linguagem é normalizada pelas artes da linguagem, o intelecto é aperfeiçoado pelas assim chamadas cinco virtudes intelectuais, sendo duas práticas e três teóricas – a saber: compreensão, ciência, sabedoria, prudência e arte.
Segundo definições clássicas, a compreensão é o captar intuitivo dos princípios primordiais (o pensamento lógico e a investigação lógica); a ciência é o conhecimento das causas mais prováveis; a sabedoria é a compreensão das causas ditas fundamentais; a prudência é o pensamento coerente concernente às ações e, por fim, a arte é o pensamento aplicado à produção e à capacidade de produzir.

Para aprofundar-se no tema, recomendo os sites abaixo:

http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA7/medievalista-meirinhos7.htm

http://obelogue.blogspot.com.br/2008/08/o-carteiro-under-construction-trivium-e.html

Pesquisa Ir. José Humberto Oliveira.'.MM.'.

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